cigarrinha-verde

Como fazer o manejo eficiente e livrar sua lavoura da cigarrinha-verde

- 16 de abril de 2021

Cigarrinha-verde: entenda seu comportamento e confira quais práticas de manejo cultural, biológico e químico podem ser mais eficazes no controle

A cigarrinha-verde é uma praga de grande importância nas principais culturas do Brasil. Sua presença descontrolada na lavoura pode causar perdas de até 90% na produção de grãos.

Mas sua identificação nem sempre é fácil: os danos causados por ela podem ser facilmente confundidos com estresse hídrico ou deficiência de nutrientes nas plantas.

Neste artigo, você irá conhecer melhor a cigarrinha-verde e aprender como controlá-la de maneira eficiente na lavoura. Confira a seguir!

Características da cigarrinha-verde

A cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri ROSS & MOORE, 1957) pertence à ordem Hemiptera, a mesma dos percevejos e pulgões

A família Cicadellideae, onde está inclusa, é a maior da ordem, com mais de 21 mil espécies descritas.

Cigarrinha-verde adulta na folha de soja

Cigarrinha-verde adulta na folha de soja
(Fonte: Agrobase)

O inseto adulto possui coloração verde-clara e corpo de aproximadamente 3 mm. É extremamente ágil e pode se dispersar rapidamente na lavoura.

Os ovos são postos nas nervuras no lado inferior das folhas e eclodem entre uma e duas semanas. As cigarrinhas ninfas (inseto jovem) são verdes-translúcidas e tornam-se adultas com aproximadamente 15 dias.

duas fotos de Ninfa de cigarrinha-verde

Ninfa de cigarrinha-verde
(Fonte: Biodiversidadvirtual)

Ação da cigarrinha

Grãos como feijão e soja podem ter a produtividade amplamente afetada com a alta população de cigarrinha-verde.

Elas possuem aparelho bucal picador-sugador: se alimentam introduzindo o estilete no floema e sugam a seiva da planta pela parte inferior da folha (mais acessível).

Somente o fato de inserir o estilete causa injúria na planta, pois é uma porta de entrada para outros patógenos como fungos e bactérias.

Adulto de cigarrinha-verde em folha de feijão

Adulto de cigarrinha-verde em folha de feijão
(Fonte: Embrapa)

Enquanto suga a seiva, a cigarrinha injeta compostos tóxicos que podem bloquear o floema, impedindo que água e nutrientes cheguem a algumas partes da folha.

Por se tratar de uma praga polífaga, ela pode permanecer na lavoura entre cultivos. Isso acontece principalmente se houver plantas remanescentes (tiguera) ou plantas daninhas hospedeiras.

Sintomas e danos

Os danos causados pela cigarrinha-verde podem ser confundidos com estresse hídrico ou deficiência de nutrientes, justamente pelo fato do bloqueio dos vasos do floema. Só são visíveis dias após o ataque.

As lesões começam no ponto de alimentação e se desenvolvem com áreas de clorose (amarelecimento da folha). 

Além disso, as bordas das folhas apresentam leve encarquilhamento, com aspecto coriáceo e secamento.

Feijão com sintoma da injeção de toxinas pela cigarrinha-verde

Feijão com sintoma da injeção de toxinas pela cigarrinha-verde
(Fonte: Embrapa)

Com o tempo, a área de clorose se expande e vai tomando conta da folha, que se curva e finalmente cai. 

Quanto maior a população de cigarrinhas, mais rápido esse processo ocorre e maior a área foliar perdida. O rendimento da lavoura é reduzido.

Além de tudo, pode acontecer abortamento de flores. Por isso o cuidado com o inseto deve ser redobrado na época de floração.

A cultura do feijão é a mais afetada por essa praga. O feijoeiro sofre sérios danos, especialmente no cultivo de seca, época em que a gama de outros hospedeiros é escassa. 

Há relatos de que o não controle da cigarrinha-verde gera expectativa de perdas de até 90% na produção de grãos.

Como fazer o controle da cigarrinha-verde

Várias estratégias de manejo podem e devem ser adotadas para controlar a população de cigarrinhas. 

A seguir, você verá o que fazer para se livrar dos problemas causados por essa praga.

Manejo integrado de pragas (MIP)

O MIP (Manejo Integrado de Pragas) é um sistema de manejo que associa o ambiente e a dinâmica populacional da praga. 

O sistema considera todos os métodos de proteção das plantas apropriados. Ele busca manter a população da praga abaixo de um nível de dano econômico (NDE) e dentro de um nível de equilíbrio (NE) ecologicamente viável.

Dentro do MIP, delimita-se um nível de controle (NC): uma população mínima da praga, onde táticas de manejo devem ser realizadas para não alcançar o NDE. 

Algumas medidas preventivas que devem ser adotadas no MIP são:

  • amostrar e monitorar a lavoura;
  • usar armadilhas;
  • promover ambiente adequado para inimigos naturais;
  • utilizar plantas isca;
  • controlar plantas daninhas e plantas “tiguera” (manejo cultural);
  • usar controle químico quando necessário.

Monitoramento semanal:

  • da emergência até 3-4 trifólios: avaliar a parte superior e inferior das folhas em 2m;
  • a partir de 3-4 trifólios até a floração: usar pano de batida;
  • o nível de controle para ambas as amostragens é de 40 ninfas.

A avaliação de adultos é difícil pela agilidade de deslocamento do inseto.

Você pode fazer o acompanhamento do monitoramento e outras práticas do MIP através de planilhas ou de um software agrícola como o Aegro

captura de tela do monitoramento de pragas do sistema de gestão rural Aegro

Aegro ajuda a acompanhar a execução de atividades de monitoramento e aplicações dentro do MIP (dados ilustrativos)

Com o Aegro, você pode registrar o monitoramento e o armadilhamento da lavoura pelo celular, acompanhando os resultados a qualquer momento.

Também gera relatórios sobre a incidência de pragas-alvo e verifica o momento certo para pulverizar, reduzindo até mesmo os custos com defensivos.

O MIP pode ser testado gratuitamente por 7 dias. Solicite aqui uma demonstração e experiência gratuita!

Controle Biológico

Agentes como parasitoides (Anagrus spp.) e fungos entomopatogênicos que atacam ovos, além de insetos benéficos (joaninhas e crisopídeos) que atacam ovos e ninfas, são indicados.

Parasitoide Anagrus flaveolus

Parasitoide Anagrus flaveolus
(Fonte: Wikimedia)

Este tipo de controle alternativo ainda é pouco utilizado, mas ultimamente vem ganhando muitos adeptos devido a sua eficiência e baixo custo.

Controle Químico

O controle químico com inseticidas é o manejo mais utilizado. Considere fazer a rotação de ingredientes ativos e mecanismos de ação diferentes para não selecionar insetos resistentes.

Os inseticidas de contato devem ser aplicados de maneira que atinja a superfície inferior das folhas. Os inseticidas sistêmicos podem ser pulverizados na superfície superior das folhas.

Listei alguns inseticidas registrados no Agrofit, de grupos e ingredientes ativos recomendados para controle de sugadores no algodão, feijão e soja.

Neonicotinoides

  • Acetamiprido – Aceta 200SP; Acetamiprid 200SP; AutenticoBR 200SP;
  • Imidacloprido – Gaucho FS; Imidagold 700WG;
  • Tiacloprido – Calypso 480SC;
  • Tiametoxam – Actara 250WG.

Organofosforados

  • Cloropirifós – Ciclone 480EC; Catcher 480EC;
  • Terbufós – Counter 150GR.

Piretroides

  • Fenpropatina – Meothrin 300EC; Damimen 300EC;
  • Bifentrina – Brigade 25EC; Seizer 100EC;
  • Etofenpoxi – Safety 300EC.

Usar uma combinação de ingredientes ativos é uma ótima alternativa por unir ação sistêmica e de contato.

Sempre utilize produtos registrados para a cultura e na dose recomendada, de acordo com o receituário agronômico.

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Conclusão

A cigarrinha-verde tem causado infestações cada vez maiores e danos principalmente à cultura do feijão.

A praga suga a seiva na parte inferior das folhas, que apresentam sintomas de encarquilhamento, secamento e amarelamento das bordas e necrose nos pontos de injúria.

Observe atentamente e faça amostragens periódicas da emergência ao florescimento, entrando com manejo ao atingir o nível de controle (NC).

O controle biológico é bastante eficiente se feito corretamente. Já o controle químico é o mais utilizado por sua eficácia e praticidade. 

Lembre-se desses detalhes ao escolher a melhor forma de manejo!

Já enfrentou problemas com cigarrinha-verde em sua lavoura? Como fez o controle? Divida sua experiência nos comentários!

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